Embarque no trem mobile – como criar uma estratégia mobile-first imbatível

Por Einav Mor-Samuels
How to forge an invincible mobile-first strategy

Quando pesquisamos sobre estratégias mobile-first, a maioria dos resultados utiliza o termo para falar sobre design e desenvolvimento. Mas adotar uma mentalidade mobile-first interorganizacional envolve muitos outros tópicos. 

A abordagem mobile-first abrange todo o conceito de engajamento e experiência do usuário, representando um incentivo para que as empresas acompanhem as últimas tendências mobile e tecnologias emergentes.

Nos últimos 20 anos, empresas de todos os setores enfrentaram o grande desafio de migrar suas operações tradicionais, feitas em espaços físicos, para o mundo digital, fazendo a transição para um modelo digital-first

De diversas maneiras, o aumento no uso de dispositivos mobile unido à diversificação do comportamento de compras dos consumidores, fez com que um número ainda maior de empresas se reinventassem em um mundo no qual os usuários que estão “sempre conectados” está se tornando uma realidade global. 

Seja para pedir um delivery, fazer compras online, se distrair com o Candy Crush ou usar a carteira digital, o celular se tornou uma parte fundamental do ciclo de vida do cliente – sendo que mais de 40% do total de clientes interagem com marcas por meio de seus dispositivos mobile. 

Para poder atender a um público cada vez maior de consumidores que realizam a maioria de suas interações por meio do mobile, muitas empresas estão deixando de utilizar aplicativos informativos com baixa funcionalidade. Hoje, elas investem no desenvolvimento de aplicativos que geram maior engajamento e oferecem funções transacionais, nos quais a experiência do usuário é fundamental

Em outras palavras, o mercado agora está reconhecendo o aplicativo como um canal poderoso por si só, em vez de encará-lo como um clone de seu site mobile.

Neste blog post, vamos explicar rapidamente os princípios básicos de uma estratégia mobile-first e por que os profissionais de marketing precisam utilizá-la. Além disso, oferecemos algumas dicas práticas sobre como solidificar uma abordagem mobile-first completa que impulsionará os seus negócios em 2022.

Vamos começar!

  1. Obstáculos e vantagens
  2. O que significa ser mobile-first? (e qual é a importância desse modelo)
  3. 6 motivos para adotar uma estratégia mobile-first
  4. Grandes empresas mobile-first – siga o exemplo
  5. Como tirar sua estratégia mobile-first do papel e transformá-la em realidade
  6. Principais conclusões

Obstáculos e vantagens

Quase 66% das empresas se identificam como mobile-first, e uma média de 40% das vendas de eCommerce ocorrem no mobile. Por isso, um número cada vez maior de empresas enterprise estão encarando o mobile como um canal estratégico para a aquisição e retenção de usuários.

Então, o que impede que mais marcas implementem uma estratégia mobile? Esses são os 3 principais desafios:

  1. Falta de gerenciamento de mudanças organizacionais.
  2. A necessidade de contratar funcionários experientes.
  3. Preocupações com as novas diretrizes de privacidade, que surgiram com novas as atualizações de privacidade – como o framework de ATT da Apple.

Embora essas preocupações com a privacidade sejam compreensíveis, elas também apontam para uma falta de conhecimento de soluções que já estão disponíveis no mercado. As empresas precisam ter em mente que diversas soluções de mensuração e otimização mobile – que não infringem as leis de privacidade – estão logo ali, basta fazer uma escolha.

Quando se trata de mudanças mais positivas da adoção de um modelo mobile-first, muitas marcas relatam que ficou mais fácil desenvolver estratégias mobile bem-definidas e gerenciar o desenvolvimento de UX/UI. Então, pelo menos no lado técnico das coisas, o caminho para o sucesso no mobile-first está muito mais fácil do que costumava ser.

O que significa ser mobile-first? (e qual é a importância desse modelo)

O que significa ser mobile-first?

“A estratégia mobile-first não se trata apenas de oferecer recursos e funções, mas também de certificar-se de que o cliente tem tudo o que ele precisa.”

Executivo da vertical de finanças

O termo “abordagem mobile-first” surgiu em 2009, e originalmente era usado para falar sobre como as marcas deveriam adaptar suas estratégias de design para lidar com a transição do formato desktop para um formato web mobile. Ou seja, desenvolver primeiro a experiência mobile para depois adaptá-la a telas maiores.

Na maioria dos casos, sites de desktop ultrapassados também eram lançados junto com a versão mobile, mas eles geralmente consistiam em uma única landing page.

Aos poucos, essa mentalidade se expandiu para incluir também as comunicações corporativas. Qualquer conteúdo, notícia ou anúncio que uma empresa quisesse transmitir era comunicado primeiro via mobile e depois por meio de outras plataformas. 

A perspectiva do design mobile-first exigia uma versão reduzida de um produto da web, que incluía uma abordagem de design muito mais concisa. Em vez de construir uma plataforma completa sem saber se todos os recursos se encaixavam no mobile, a abordagem mobile-first permitiu que os desenvolvedores focassem no que era mais importante logo no início, para depois adicionar mais elementos conforme necessário.

Lembre-se, quando falamos de “mobile” não estamos excluindo a web mobile. É verdade que os aplicativos mobile ajudam a aproximar a sua marca dos clientes como nenhum outro canal, permitindo jornadas de usuário muito mais personalizadas. Mas isso não significa que a web mobile deve ser ignorada. 

Na verdade, a capacidade de resposta do seu site mobile afeta diretamente as classificações em mecanismos de pesquisa, e o Google pode banir seu site se ele não estiver otimizado para dispositivos mobile (continue lendo para saber mais).

Ou seja, uma estratégia mobile não acaba nos dispositivos mobile. Nos últimos anos, mais e mais canais estão se tornando “parecidos com o mobile”. Por exemplo, IoT, dispositivos conectados e smart TVs. A maioria desses canais opera em ecossistemas semelhantes aos dos aplicativos mobile, que estão se tornando o modelo de distribuição de software dominante do nosso tempo.

Mas, independentemente de como é a sua abordagem mobile, lembre-se de que, nos últimos 5 anos, o mobile-first deixou de ser apenas um princípio de design: ele se tornou um componente indispensável da estratégia geral de uma empresa. De pequenas empresas locais a grandes empresas globais, o número de empresas que adotam ativamente uma estratégia mobile-first está crescendo de forma expansiva. 

Se os processos podem ser simplificados ou agilizados em benefício dos consumidores e das empresas que os atendem, então esse é o caminho a ser seguido. 

Mesmo que você não esteja totalmente convencido de que sua empresa pode se beneficiar do investimento em uma estratégia mobile-first, não se engane. Às vezes, adotar uma mentalidade mobile-first significa aceitar que nada é perfeito, e algumas mudanças ainda precisam ser feitas. 

6 motivos para adotar uma estratégia mobile-first

motivos para adotar uma estratégia mobile-first

1. O que importa são as pessoas

Uma abordagem mobile que prioriza o cliente nunca falha. 

Lembre-se de que criar uma experiência mobile atraente se resume em oferecer a seus clientes uma experiência personalizada, fácil e contextualizada. 

Sempre se questione: “qual é a maneira mais fácil e rápida de levar meus usuários de A até B?”. Esse é o seu ponto de partida.

2. Isso é o que os seus clientes querem

Quase 50% das empresas de todas as verticais que participaram da nossa pesquisa relataram que a pandemia acelerou seu processo de transformação mobile-first. Por quê? 

Porque os últimos anos marcaram uma nova era centrada em dispositivos mobile, na qual os clientes assumiram o controle e passaram a usar ainda mais aplicativos, buscando resolver problemas de forma mais rápida e eficaz, em qualquer lugar e a qualquer hora. Em outras palavras, eles já migraram para um uso mobile-first.

Nos primórdios dos aplicativos mobile, o principal motivo para o seu uso era que, em um mundo no qual a internet mobile era tão lenta, ter mais conteúdos pré-carregados era importante. Mas com o aumento do valor agregado da experiência no aplicativo, essa não é mais uma questão central.

Existem muitos exemplos (veja mais informações adiante) de empresas ágeis, que perceberam essa mudança e ofereceram a seus clientes o que eles esperavam: uma experiência mobile fácil, intuitiva e eficiente em termos de tempo.

Considerando que a experiência do usuário em aplicativos mobile é inigualável em termos de personalização, performance e facilidade de uso, a escolha de priorizar os dispositivos mobile é uma questão de simples senso comercial. 

3. Essa estratégia impulsiona sua visibilidade orgânica

Um fator significativo que acelerou a adoção de estratégias mobile-first é a “indexação mobile-first” do Google. Desde 2019, o algoritmo de pesquisa do Google dá prioridade aos sites mobile quando faz uma nova indexação.

Na prática, isso significa que novos sites desenvolvidos sem uma estratégia mobile-first provavelmente terão resultados de SEO abaixo da média. E ninguém quer isso.

4. Grande impacto no engajamento e retenção de clientes

Os dispositivos mobile aproximam sua marca de seus clientes. Isso pode parecer clichê, mas é um fato. Pense bem: no geral, o seu celular é a primeira coisa que você pega quando acorda e a última coisa que você olha antes de dormir. 

Oferecer aos seus clientes um aplicativo mobile repleto de valor significa que você pode literalmente estar em seus bolsos 24 horas por dia, incentivando o seu engajamento, gerando retenção e aumentando seus lucros.

5. O mobile é um canal poderoso para gerar receita

Os aplicativos mobile oferecem uma ampla variedade de estratégias de monetização, incluindo anúncios in-app, compras in-app, elementos de gamificação e, às vezes, recursos premium ou produtos pagos. Para saber mais sobre táticas inteligentes de monetização, confira nosso guia completo de engajamento no aplicativo e retenção de usuários .

6. Uma fonte incomparável de dados primários

Quando se trata de avaliar o engajamento, riscos de evasão, padrões de comportamento, conversão e até tendências futuras, os aplicativos são uma fonte inestimável de insights. 

É verdade que as recentes mudanças de privacidade no setor dificultaram ainda mais a coleta e a análise de dados a nível do usuário. No entanto, o uso de uma combinação das seguintes ferramentas de mensuração pode te ajudar a superar esse desafio: 

O acesso aos dados pode ajudar os profissionais de marketing a oferecer experiências mais personalizadas, aprimorar seus esforços de remarketing, otimizar a mensuração de campanhas e gerar mais receita a partir de seus principais negócios.

Grandes empresas mobile-first – siga o exemplo

Grandes empresas mobile-first

Embora o número de grandes empresas de varejo que priorizam a abordagem mobile-first em suas iniciativas de transformação digital esteja em constante aumento, essa migração não é novidade para as empresas de jogos. 

Basta olhar qualquer um dos jogos de celular mais populares no Android ou iOS e percebemos imediatamente que todos foram criados para o mobile, mesmo nos casos em que eles se baseiam em jogos de PC ou console pré-existentes. 

É verdade que, na maioria dos casos, as empresas de jogos são mais ágeis e experientes em tecnologia e na adoção de dispositivos mobile, mas isso significa que o resto do setor ainda pode aprender muito com seus anos de conhecimento digital acumulado.

Existem inúmeras histórias de sucesso incríveis de empresas que inovaram completamente em sua experiência mobile-first. Dentre elas, podemos citar o Spotify, Snapchat, Uber, Tinder, Robinhood e Monzo – uma das primeiras fintechs a adotar uma mentalidade inovadora que priorizava o aplicativo mobile. 

Por enquanto, vamos falar sobre uma marca específica, que incorpora o mobile-first em seu sentido mais puro: o Instagram. A princípio, o aplicativo do Instagram iniciou sua jornada como uma plataforma para a edição e compartilhamento de fotos. Hoje, ele é uma das principais redes sociais do mundo, e tem um valor estimado de cerca de US$102 bilhões.

Contando com mais de 2 bilhões de usuários somente em 2021, essa megaempresa mobile-first continua a inovar com recursos e funcionalidades que ainda estão transformando nossa noção do que é e do que deve ser uma experiência mobile. 

Como o Instagram se tornou o que ele é hoje? Você já sabe. A empresa adotou uma estratégia mobile-first incomparável. 

Mesmo antes de ser adquirido pelo Facebook, o Instagram fez um esforço consciente de engenharia e negócios para incorporar sua mentalidade de “Do the simple thing first” (“Faça primeiro o que é mais simples”, em tradução livre), com o objetivo claro de dominar o reino dos aplicativos mobile. Cada etapa do design foi criada para aprimorar e simplificar o UX, aproveitando ao máximo todas as possibilidades que o mobile tinha a oferecer. 

Mesmo com a evolução da interface do usuário ao longo dos anos, sua mentalidade central permaneceu a mesma, com foco na simplicidade: uma interface simples e direta, voltada para a experiência, que permite que os usuários se socializem por meio de sua criatividade visual de uma maneira muito intuitiva. 

Portanto, embora o mobile-first possa parecer um pouco assustador, a importância de entender o valor que ele pode oferecer é essencial para qualquer marca que queira permanecer relevante.

Como tirar sua estratégia mobile-first do papel e transformá-la em realidade

como tirar sua estratégia mobile-first do papel e torná-la uma realidade

O mais importante é lembrar que um design mobile-first não se trata de apenas reduzir o tamanho do conteúdo que você já possui – é preciso imaginar como ele poderia ser. 

É preciso simplificar, ser ágil e se livrar de excessos ou complexidades. Do contrário, você estará forçando as suas iniciativas mobile a se encaixarem em um molde do velho mundo, e isso não nos leva lugar nenhum.

Vamos falar sobre 3 maneiras de garantir que a sua estratégia mobile-first esteja preparada para o sucesso:

1. Nunca se esqueça dos seus clientes

Estratégia mobile-first: clientes

Enquanto você se concentra nos aspectos técnicos da transição mobile-first, não se esqueça dos seus clientes. Você não otimiza o seu negócio apenas para os dispositivos mobile. Você o otimiza para as pessoas. Seus clientes. 

Explore todos os detalhes da sua jornada, incluindo todos os touchpoints relevantes, e descarte etapas desnecessárias que possam atrapalhar seu fluxo. Ao fazer isso, certifique-se também de criar diversos cenários da jornada – para que você possa se preparar melhor para outras estratégias de aquisição de usuários.

Com os seus usuários em mente, você consegue olhar para além da aparência do seu aplicativo. Pergunte-se por que os usuários precisam disso em primeiro lugar. Assim, você manterá o seu foco no que é mais importante durante todo o processo. 

2. Simplifique a jornada do usuário

Estratégia mobile-first: jornada do usuário

Jornadas do usuário fragmentadas ou excessivamente complexas podem desencorajar seus clientes. 

Independente de qual seja a sua vertical, é fundamental que você identifique em que pontos os seus usuários parecem mais desinteressados em sua jornada. Isso pode incluir uma página de inscrição tediosa, um formulário que não é otimizado para dispositivos mobile (e que força seus usuários a aumentar ou diminuir o zoom e deslizar para os lados), ou links quebrados que levam ao famigerado erro 404.

Apesar de ser extremamente prejudicial para as empresas, essas armadilhas de UX ruim podem ser facilmente evitadas. Portanto, esteja sempre atento à jornada do seu usuário para identificar e corrigir quaisquer erros o mais rápido possível.

Apesar disso, garantir uma experiência mobile fácil e agradável não se resume apenas à correção de erros. Trata-se também de coisas mais sutis, como ajudar os usuários a atingir seus objetivos e oferecer a eles informações relevantes e pontuais. 

Essas etapas são métodos testados e comprovados para cultivar mais engajamento, nutrir a fidelidade à marca e gerar maior satisfação para o usuário.

3. Teste, mensure, corrija, repita

Estratégia mobile-first: teste, mensure, corrija, repita

Atualmente, as empresas que querem ter sucesso não mensuram resultados e otimizam processos com base em puro pressentimento. O caminho para um negócio mobile-first próspero depende de muita coleta de dados e análises constantes. 

Depois de coletar dados sobre a jornada ideal do cliente e projetar um aplicativo com um UX específico em mente, agora é hora de monitorar como os usuários estão se adaptando a ele, sempre buscando encontrar touchpoints fracos ou problemáticos. 

Fique atento às suas métricas de engajamento (por exemplo, tempo gasto no aplicativo, usuários ativos diários e mensais, retenção, taxa de desinstalação etc.), mas também faça pesquisas com clientes e monitore qualquer feedback compartilhado em redes sociais ou sites especializados. 

Utilizar esses insights de dados e implementar um ciclo ágil de desenvolvimento e feedbacks pode te ajudar a alcançar resultados incríveis, permitindo que você ofereça aos seus usuários uma experiência mobile agradável e inesquecível, que é exclusivamente sua.

Para saber mais sobre metodologias inteligentes para a aquisição de usuários, confira nosso guia.

Principais conclusões

Estratégia mobile-first: principais conclusões
  • Quase 66% das empresas se identificam como majoritariamente mobile-first, sendo que um número cada vez maior de marcas de tamanho empresarial consideram o mobile como um canal de aquisição e retenção altamente estratégico, especialmente na nova realidade pós-pandemia.
  • Os 3 principais obstáculos que impedem que mais empresas adotem uma estratégia mobile-first são a falta de gerenciamento de mudanças organizacionais, a necessidade de contratar funcionários experientes e as preocupações com a privacidade.
  • Por outro lado, muitas empresas relatam que, hoje, está mais fácil desenvolver estratégias mobile bem definidas e gerenciar o desenvolvimento de UX / UI.
  • Para muitas empresas, a possibilidade de oferecer uma experiência inigualável para o usuário faz com que a adoção de uma estratégia mobile-first seja uma questão de simples senso comercial. Isso é o que os clientes desejam. Além disso, essa estratégia aumenta o engajamento e a retenção, sendo que o mobile é um poderoso canal de obtenção de receita e uma fonte fenomenal de dados críticos.

Ao focar nas necessidades dos seus clientes, garantir a facilidade de uso de seu aplicativo e monitorar atentamente a performance do seu aplicativo, você estará criando a experiência mobile perfeita para seus clientes, o que certamente trará um impacto positivo para os seus negócios.

Einav Mor-Samuels

Com ampla experiência em marketing digital, Einav é redatora de conteúdos na AppsFlyer. Ao longo dos últimos 15 anos, ela obteve ampla experiência sobre o ecosistema do marketing mobile, pesquisando tendências de marketing e oferecendo soluções personalizadas para os problemas digitais de nossos clientes. A Einav escreve seu conteúdo usando insights baseados em dados, e transforma até os assuntos mais complexos em conteúdos claros e acessíveis.

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