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Onboarding de aplicativos em 2022: o guia completo

Por Einav Mor-Samuels
Onboarding de aplicativos em 2022 - quadrado

Em 2021, a Simform fez uma pesquisa sobre as estatísticas de uso de um app, que mostrou que o usuário médio possui 40 apps instalados em seu dispositivo, mas ele gasta cerca de 90% do seu tempo em apenas 18 apps.

Isso significa que 22 aplicativos ficam parados no celular, sem uso. Uma causa comum para esse problema é a falha no processo de onboarding do aplicativo.

Uma experiência de onboarding completa pode ser o principal fator que diferencia os aplicativos que são mais utilizados daqueles que acabam sendo desinstalados. Uma boa experiência de onboarding é aquela que ensina, inspira e incentiva seus usuários, otimizando o engajamento e levando à retenção.

O que é o onboarding de um aplicativo e por que ele é importante?

O onboarding é composto por uma série de etapas pelas quais os usuários passam antes de começar a usar um aplicativo. Esse processo pode incluir a apresentação do app para novos usuários, a coleta de informações e o passo-a-passo para o cadastro em uma conta.

Após a instalação, o onboarding é a primeira introdução do usuário ao app. Por isso, você deve considerá-lo como uma prova, na qual você demonstra a relevância do seu aplicativo e explica como ele pode ser útil para solucionar os problemas dos usuários.

Quando os usuários abrem um app pela primeira vez, o processo de onboarding deve ser feito de forma que ele mostre a relevância do aplicativo o mais rápido possível, levando os usuários ao seu “aha moment”.

Os três tipos de onboarding mobile

Idealmente, a relação de um novo usuário com o seu app começa com o onboarding e termina com a fidelização à marca. No entanto, cada usuário possui uma experiência diferente, e cada aplicativo possui diferentes níveis de complexidade, o que faz com que o onboarding de cada um exija um acompanhamento maior ou menor do usuário até que ele se sinta confortável e confiante para usar o app.

Portanto, ao desenvolver a experiência de onboarding do seu aplicativo, você deve avaliar as características do seu usuário e de sua jornada para escolher qual é o melhor processo para o seu app. Abaixo, listamos os três principais tipos de onboarding:

1 – Abordagem gradual

Um processo de onboarding gradual permite que os usuários explorem o aplicativo, descobrindo novas informações conforme eles navegam. O objetivo do onboarding gradual é que os novos usuários aprendam na prática.

Esse tipo de onboarding é ótimo para apps que possuem um fluxo complexo, com funcionalidades ocultas ou exclusivas, diversas áreas ou interações gestuais.

O InVision representa um ótimo exemplo de um aplicativo que usa um processo de onboarding gradual, que prevê qual será o próximo passo ou a próxima funcionalidade relacionada à anterior para os usuários  — mas com o cuidado para não sobrecarregá-los — oferecendo um total controle sobre o processo conforme eles avançam em seu onboarding.

Onboarding: InVision
Fonte: InVision

2 – Abordagem baseada na funcionalidade do app

Nessa estratégia, o aplicativo apresenta imediatamente suas principais funções para os novos usuários. Ou seja, o onboarding baseado na funcionalidade do app mostra aos usuários por onde eles devem começar e como executar as ações mais comuns. Por exemplo, uma apresentação visual com instruções específicas.

Por exemplo, o app da Mockup faz um ótimo trabalho ao mostrar quais são as principais funcionalidades do aplicativo em apenas três slides.

Onboarding: Mockup
Fonte: Mockup

3 – Abordagem baseada nos benefícios do app

O onboarding baseado nos benefícios do app é um processo que apresenta as vantagens de uso de um aplicativo. No lugar de apresentar ao usuário quais são as diferentes maneiras de uso do app, essa abordagem se concentra no que o aplicativo oferece.

Um exemplo desse método é o pedido de permissão de envio de notificações ou de acesso a alguma informação, que o usuário pode aceitar ou recusar, como no caso do envio de notificações push ou o acesso à sua localização.

O Evernote é um aplicativo de anotações que possui uma experiência de onboarding que se baseia em suas vantagens. Ele apresenta as vantagens de uso do aplicativo assim que um novo usuário abre o app pela primeira vez — o que também permite que o usuário escolha como será a sua jornada de onboarding. Assim, eles recebem uma explicação que se baseia nas vantagens escolhidas, tendo a liberdade para decidir quais serão os próximos passos conforme eles avançam no onboarding.

Onboarding: Evernote
Fonte: Evernote
guia

Engajamento in-app e retenção de usuários
(disponível em inglês)

Saiba mais

Práticas recomendadas para o onboarding de apps em 2022

Embora a sua abordagem para o onboarding possa variar de acordo com a complexidade do seu aplicativo e as necessidades dos seus usuários, você ainda pode seguir algumas recomendações úteis.

1 – Obtenha os dados necessários logo no começo

Muitos aplicativos são úteis apenas quando possuem acesso aos dados necessários (por exemplo, um aplicativo de previsão do tempo não conseguirá te avisar sobre uma tempestade sem o acesso à sua localização).

O aplicativo da Nike não permite que os usuários apenas olhem seus produtos; ele faz com que eles se tornem “membros” para coletar suas informações. Logo após a instalação, o aplicativo solicita o endereço de e-mail do usuário, que recebe a mensagem de “Junte-se a nós”. Assim, o usuário sente que faz parte de um clube exclusivo.

A Nike não permite que os usuários acessem nenhuma área do aplicativo sem que eles façam o login, mas o app também não pede que os usuários compartilhem muitos dados de uma só vez, evitando uma fricção desnecessária.

Com o acesso aos dados necessários para oferecer uma experiência personalizada, a Nike conseguiu reduzir a probabilidade de que os usuários baixem o app, naveguem por alguns minutos e façam a desinstalação.

Onboarding: Nike
Fonte: Nike

2 – Permita que os usuários pulem etapas

A maioria dos usuários não quer se sentir presa a um processo de onboarding — principalmente no caso de usuários mais experientes ou aplicativos que são relativamente auto explicativos.

Assim, permitir que os usuários pulem etapas e explorem o app por si próprios é uma ótima maneira de fazer com que eles fiquem interessados e não se sintam vigiados.

O aplicativo da Vevo oferece essa opção aos amantes da música — ele permite que os usuários pulem algumas partes do processo de onboarding e que possam ir diretamente ao que importa. A Vevo representa um ótimo exemplo da vantagem de uma experiência de onboarding gradual voltada para o usuário.

Onboarding: Vevo
Fonte: Vevo

3 – Destaque quais são seus principais recursos imediatamente

Enfatizar as principais funcionalidades do seu app é a melhor maneira de capturar rapidamente a atenção do usuário. No entanto, lembre-se de resistir à tentação de apresentar todos os seus recursos de uma só vez, ou você correrá o risco de sobrecarregar seus usuários.

Foque nas funções com maior probabilidade de resolver os principais problemas dos seus usuários, e confie que eles descobrirão outros recursos e funcionalidades em seu próprio tempo.

O aplicativo do eBay é um ótimo exemplo de um app que enfatiza seus principais recursos, incentiva os usuários a explorar o app por si próprios (até mesmo antes que eles façam uma conta) e simplifica o processo de cadastro quando eles se sentem preparados para dar o próximo passo.

O eBay entende que seus usuários estão ali para fazer compras, por isso o app não os atrapalha com um tutorial longo e entediante sobre como o processo de compras funciona. O usuário é recebido com um dashboard simples que permite que ele pesquise o que está procurando — desde carros até móveis antigos.

Onboarding: eBay
Fonte: eBay

4 – Engage seus usuários em diversos canais

Não limite o seu onboarding ao espaço interno do seu app — é importante engajar novos usuários em diferentes canais, com o objetivo de trazê-los de volta para o seu aplicativo. Por exemplo, isso pode ser feito por meio de notificações push, ofertas via SMS, o anúncio de novos recursos nas redes sociais e e-mails de boas-vindas.

Unir diversos canais ao seu processo de onboarding pode impulsionar a experiência do usuário e atraí-los de volta para o seu app. Por exemplo, ao enviar mensagens e e-mails personalizados de acordo com as atividades que os usuários já fizeram no aplicativo (como um lembrete para completar o cadastro) pode ser o incentivo necessário para que eles completem o processo de onboarding.

A SHEIN, loja de compras online, otimiza seu onboarding por meio de notificações push enviadas após a instalação do aplicativo — garantindo que os novos usuários não fiquem muito tempo sem usar o app.

Onboarding: SHEIN - notificações push
Fonte: SHEIN

5 – Seja transparente sobre o uso de dados

Os usuários raramente confiam em grandes empresas tecnológicas que sempre querem coletar seus dados. Por isso, durante o onboarding, você deve ser transparente sobre quais dados precisam ser coletados e seus motivos.

Como sabemos, é obrigatório solicitar a permissão para acessar informações privadas como a localização ou o uso da câmera do celular, mas você não deve pressionar seus usuários para obter sua permissão sem explicar a eles como o compartilhamento dessas informações permitirá que eles tenham uma experiência melhor no aplicativo.

O Grubhub, aplicativo de delivery, sabe bem disso. O Grubhub permite que você insira o seu endereço manualmente durante o onboarding (processo que pode ser feito todas as vezes que você usa o app), mas o aplicativo gentilmente sugere que você compartilhe a sua localização enquanto o app estiver aberto para facilitar o seu uso. No caso, o Grubhub toma o cuidado de explicar como isso pode ajudar seus novos usuários.

Onboarding: Grubhub
Fonte: Grubhub

6 – Mostre as etapas do processo e celebre conquistas 🎉

No pior dos casos, o onboarding parece um longo caminho tedioso, sem um objetivo definido. Quando os usuários sentem que terão que passar horas no processo de onboarding para poder usar o app, eles começam a perder o interesse.

Por isso, é importante incluir uma barra de progresso que mostra o avanço do usuário no onboarding. Quando um usuário completa uma das principais etapas em sua experiência de onboarding, como criar um perfil, enviar uma foto ou criar uma playlist, uma boa maneira de fazer com que ele se sinta motivado a finalizar a jornada de onboarding do seu aplicativo é exibir uma animação de confetes ou um “parabéns!” na tela.

Erros comuns no onboarding de aplicativos mobile

O onboarding de um app, quando feito do jeito certo, tem o potencial de impulsionar suas taxas de engajamento e retenção de usuários. No entanto, existem alguns erros comuns que podem ser cometidos nesse processo, que atrapalham a otimização do engajamento e da retenção.

1 – Design excessivo

No onboarding de um aplicativo, manter a simplicidade do design é uma prática recomendada. A UI do seu processo de onboarding deve ter como objetivo evitar confundir e frustrar novos usuários.

Mesmo que você queira subverter as expectativas dos usuários, você não deve priorizar a criatividade em prol do sucesso do seu aplicativo.

Por exemplo, em um aplicativo de delivery, o ideal é que a jornada de onboarding apenas solicite que os usuários compartilhem sua localização e escolham o tipo de refeição que eles estão procurando, evitando bombardeá-los com todos os filtros de categorias pelas quais eles podem navegar.

Um novo usuário está mais interessado no que já está disponível do que em olhar quais são as escolhas do editor ou descobrir quantos tipos de culinária existem no seu app.

O Spotify é um ótimo exemplo de um aplicativo que possui inúmeros recursos, mas que oferece um processo de onboarding simples que envolve apenas a criação do nome de usuário e senha. Feito isso, os usuários podem descobrir as diversas funções e recursos disponibilizados no app.

2 – Não realizar um teste beta

Quando um usuário fica confuso durante o processo de onboarding, é possível que ele desinstale o seu app. Aplicar um teste beta é uma boa forma de garantir que suas instruções de onboarding são claras e explicam detalhadamente como navegar no seu aplicativo.

Um teste beta é a melhor maneira de entender como os seus usuários se comportam e quais são suas experiências, permitindo que você descubra o que impede a retenção desses usuários.

Ou seja, ele evita que instruções confusas impeçam a aquisição de novos usuários. Permitir que indivíduos que não acompanharam o processo de desenvolvimento do app façam um teste beta é a melhor maneira de coletar os dados que os desenvolvedores precisam para reter usuários em potencial.

Conclusões

Assim, chegamos a algumas conclusões que podem te ajudar a entender quais devem ser os próximos passos para criar o processo de onboarding ideal para o seu aplicativo:

  1. O onboarding do aplicativo é crucial para a retenção dos usuários a longo prazo.
  2. Diferentes tipos de apps precisam de onboardings com diferentes tipos de acompanhamento do usuário. Portanto, ao desenvolver a experiência de onboarding do seu aplicativo, avalie as características do seu usuário e de sua jornada antes de escolher um estilo de onboarding.
  3. As melhores práticas para o onboarding de um app mobile são: a simplicidade, deixar que os usuários façam escolhas durante o processo de onboarding, o engajamento entre plataformas, instruções claras e a comemoração de conquistas.
  4. Se deixar levar por sua criatividade e desejo de exibir todos os recursos incríveis do seu aplicativo é uma prática que pode sobrecarregar o seu usuário durante o processo de onboarding — escolha cuidadosamente quais recursos você irá destacar.
  5. Teste o seu aplicativo para garantir que os novos usuários receberão instruções claras e não se sentirão sobrecarregados com as funções e possibilidades do seu app.

Einav Mor-Samuels

Com ampla experiência em marketing digital, Einav é redatora de conteúdos na AppsFlyer. Ao longo dos últimos 15 anos, ela obteve ampla experiência sobre o ecosistema do marketing mobile, pesquisando tendências de marketing e oferecendo soluções personalizadas para os problemas digitais de nossos clientes. A Einav escreve seu conteúdo usando insights baseados em dados, e transforma até os assuntos mais complexos em conteúdos claros e acessíveis.

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